O tempo é um tema que me deixa perplexo. Não sei se é o tempo que se move sempre obedecendo a um determinado padrão e eu o sigo, na medida em que o perco ou se ele é apenas algo infinito que não se move e quem passa por ele sou eu. De toda sorte, não sou mais o que eu era, e se eu era não sou mais, e se não sou mais, deixei de ser. A única coisa que me ampara, na verdade é uma tríade: minhas memórias, minhas histórias e o que fiz ou deixei de fazer.

Minhas memórias são compostas de sombras, de tentativas, de alegrias, de gozos e de desilusões, mas continuam reais e me levam ainda a sonhar. Nada somos sem nossas memórias e a perda das mesmas nos deixa sem qualquer referência pessoal. A perda de nossa memória nos desumaniza, na medida em que nos desumanizamos. Uma pessoa sem memória é uma página em branco, sem ter nada que a preencha. A perda da memória, assim, é talvez a mais triste ausência que alguém possa sofrer,

Minhas histórias são os fatos, os pensamentos, os trabalhos, tudo que me formatou ao longo dos anos e que me faz, ainda hoje, possuir ou não crédito, não comercial, mas pessoal. O saldo é positivo, pois tenho a convicção de que fiz o que minha consciência diz que deveria ter feito. Alguns me devotam muito carinho, especialmente os que permiti ingressarem na minha vida além das aparências e das convenções sociais.

Meus atos e minhas omissões apenas mostram o que as circunstâncias que enfrentei me aconselharam. Minhas escolhas e, especialmente, as consequências que lhe aderem invariavelmente, sempre me trouxeram para o paradoxo, para o que me levaram até o ponto em que me encontro.

O tempo criou rugas, tristezas que não existiam, mas tudo passou a fazer parte da minha vida. Por outro lado, existe o outro lado, aquele mais feliz, mais delicioso; Em resumo, como diz Mercedes Soza: "el tiempo pasa nos vamos poniendo viejos". Mas, resumindo, não vejo tantos problemas assim. Hilton Besnos

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